Histórico do Jornalismo Guiado Por Dados no Brasil

Durante o governo de Fernando Collor como presidente, o jornalista Mário Rosa, funcionário do Jornal do Brasil, usou o sistema integrado de administração para verificar as fraudes na compra de leite em pó, então presidida pela primeira-dama, Rosane Collor.

Assinada pelo jornalista Mário Rosa, a matéria estava completa, com números de ordens bancárias. O acesso a esse sistema, que registra os gastos do governo federal, possibilita fazer uma analise de todos os pagamentos feitos aos fornecedores. Uma mina para os repórteres. O jornalismo ganhava uma importante fonte de informação. Na época, o acesso a este tipo de base de dados não podia ser visto por cidadãos e jornalistas. O autor da reportagem, Mário Rosa, só pôde realizar pesquisas, porque o então senador Eduardo Suplicy (PT-SP) emprestou a sua senha. A partir desta e de outras reportagens, o Governo Federal decidiu permitir oficialmente o acesso de jornalistas, tornando uma das primeiras bases de dados públicas. O diretor de redação do O Globo, foi outro repórter que nos anos 1990, usou a senha de um parlamentar para realizar pesquisas, em colaboração com o analista econômico Gil Castelo Branco, diretor da Organização Não-GovernamentalContas Abertas. Estes dois casos são os primeiros exemplos na história do jornalismo brasileiro.

Durante os anos 1990, repórteres como Fernando Rodrigues e José Roberto de Toledo, começaram a usar técnicas de RAC. A partir de 1998, Fernando Rodrigues construiu o banco de dados Políticos do Brasil. Em 2002, José Roberto de Toledo se torna um dos sócios-fundadores e vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entidade fundamental nós conceitos e técnicas da RAC no Brasil, tendo treinado vários jornalistas. A estrutura da Abraji se deu a partir de um seminário promovido pelo Centro Knight para o Jornalismo, os principais palestrantes foram Brant Houston, autor de um manual de RAC e o diretor do IRE, e Pedro Armendares, da organização mexicana Periodistas de Investigación. Embora seja uma associação voltada ao jornalismo investigativo em geral, a Abraji atuou na última década principalmente na divulgação da RAC e na defesa do acesso à informação.

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