As redes que divulgam a leitura

Facebook pode, entre todas as suas funções, ser um exteriorizador de culturas

por Gabriel Valle

A revista Época divulgou, na semana passada, uma reportagem que tratava das redes sociais como uma forma de impulso para facilitar a vida profissional. Vários empregados, de várias áreas, deram seus depoimentos sobre esse tipo de projeto e o jornalista Danilo Venticinque, colunista da revista, escreveu em sua página sobre como alguns profissionais ainda olham com receio sobre essa forma de divulgação e interação com os leitores/clientes.
Para explicar de uma forma direta, Danilo utilizou o exemplo do escritor carioca Raphael Montes, de 23 anos. Lançando seu primeiro livro em 2010, Raphael era ainda um desconhecido em termos de público consumidor. O que mais o impulsionou não foi a publicidade da editora, mas sim do próprio Facebook. Veja um pouco da história do escritor, por Danilo:

“(…) Suas editoras (Benvirá, no primeiro livro, e Companhia das Letras, no segundo) ajudaram na divulgação de seus livros, mas a maior parte do trabalho foi feito pelo próprio autor. Mais de 6 mil pessoas acompanham seu perfil no Facebook. Ele usa a rede para conversar com leitores, divulgar seus livros e compartilhar alguns momentos do seu dia a dia. “Esse contato direto é importante, pois cria a sensação de que todos estão juntos no projeto”, disse ele a Época.
(…) O esforço de divulgação, evidentemente, não valeria nada se os livros fossem ruins. Não é o caso de Raphael Montes. Suicidas, seu primeiro livro, é um romance policial clássico, sangrento, do tipo que faz o leitor perder o sono. Foi finalista do prêmio Benvirá e do prêmio São Paulo de Literatura. Seu novo romance, Dias perfeitos, é uma perturbadora mistura de suspense e história de amor. Deve repetir o sucesso do primeiro. Mesmo com o sucesso e os agrados da crítica, o autor mantém a estratégia que adotou quando era iniciante: responder a todas as mensagens de leitores, uma a uma, e nunca deixar de reservar um tempo para divulgar seu trabalho na internet. É uma boa lição para quem acredita que o trabalho do autor deveria se resumir a escrever, e que a divulgação deveria ficar a cargo das editoras. O contato direto com o autor é um grande atrativo, sobretudo para adolescentes que cresceram usando as redes sociais. Quanto mais autores se dedicarem a divulgar seus livros, mais jovens se interessarão pela literatura. Incentivar a leitura não é só um dever das escolas. Os escritores também deveriam ajudar.”

Ele termina a coluna aconselhando quem está curioso para começar nesse ramo.

“Vez ou outra, alguns escritores iniciantes me mandam mensagens pedindo dicas para conquistar mais leitores. Minha resposta costuma ser a sempre a mesma: siga o Raphael Montes e tente imitar o que ele faz. O próprio Raphael tornou isso mais fácil. Seu novo projeto é uma série de vídeos com dicas para escritores de primeira viagem. Torço para que dê certo. As livrarias – e a timeline – precisam de mais autores como ele.”

Fonte: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/danilo-venticinque/noticia/2014/05/facebook-bpara-escritoresb.html

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